VIVA VIVA - a brazilian documentary about punk in Sao Paulo.
“Steeped in the rioutous music of urban chaos, meet two generations shaping a global culture of dissent. From the slums to the city center of São Paulo, Brasil, the punks invite us to open our eyes. Viva Viva!
Viva Viva is an independent film by Carolina Pfister to be released in 2012.”
(Source: jazz-malkin)
Enquanto a banda straightedge paulistana Sight for sore eyes tocava um cover de X-Acto numa Verdurada em 1997, havia um rubronegro representando o nosso partido. O partido do Tamo em Todas.

Não sei qual foi o contexto para Nelson Rodrigues aparecer nos trending topics brasileiros, mas me recordei de uma crônica dele muito pertinente para o nosso momento Fla atual. Pelo menos no que diz respeito a relação entre torcida e time. Elegia ele o personagem da semana, Mazzola, atacante da seleção brasileira na copa de 1958 (naturalizou-se italiano e disputou a copa de 62 pelos bambinos).
Enfim, o que importa aqui são outras coisas, aqueles nossos velhos dilemas: apoiar sempre? Não apoiar quem não merece? Vaiar para tornar insustentável a permanência de um jogador antipático aos olhos da Nação? E quais são as consequências disso? Impedir o desenvolvimento de um jogador dentro do clube? Achar que só chegarão aqui jogadores prontos? Ou que um craque nasce já formado? Que história construiremos seguindo nessa toada? Nos orgulharemos dela?
Pois, então. Fica aqui o ponto de vista do fluminense mais baba ovo do Flamengo que já vimos. Esqueçam seleção, negócio de Brasil e Mazzola, pensem no aspecto amplo da coisa: o Flamengo.

Meu personagem da semana: Mazzola
Nelson Rodrigues (retirado de O berro impresso das manchetes, 7/6/1958 - http://books.google.com.br/books/about/O_berro_impresso_das_Manchetes.html?hl=pt-BR&id=tUHDE6aGPEsC)
Amigos, hoje eu desfraldo Mazzola como o meu personagem da semana. Podia ser Didi, cujo virtuosismo deixou todo mundo, na Itália, de boca aberta. Um companheiro vem rosnar-me, ao ouvido: - “Didi, quando joga bola, é amargurento!” Outro amargurento: - Garrincha. Ao fazer o quarto gol, ele driblou até pensamento. E, além de Mazzola, Didi e Garrincha, também Dino podia ser içado como meu personagem. Foi dono, não só da meia-cancha, mas da cancha inteira. Devo também falar de Gilmar, que funcionou, debaixo dos três paus, como uma maravilha elástica, acrobática e alada.
Mas eu prefiro Mazzola e explico. Antes de mais nada, coube-lhe enfiar no Fiorentina dois gols que o liquidaram.* Dois gols! Um foi de uma classe danada e o outro também. E, antes disso, o caso de Mazzola veio mostrar que o seu problema era, tão somente, de estímulo. Digo “problema de Mazzola” e amplio: - de todo o escrete. O revés de 50, como se sabe, cravou na nossa carne e na nossa alma uma dor-de-cotovelo imortal. A partir de então, a torcida passou a tratar o escrete a pontapés. O que sucedeu, aqui, com a presente seleção é típico. Por exemplo: - vencemos o Paraguai de cinco. Banho completo, que não comportava o menor sofisma ou restrição. Pois bem. O público saiu, esbravejante, do estádio. Todo mundo rosnava, descendo a rampa: - “Estou decepcionado!” E eu confesso: - nunca vi um escrete ser injustiçado de uma maneira tão cruel e tão vil. A verdade é que o torcedor patrício, por uma enfermidade emocional que data de 50, está com suas reações erradas: - chora com a vitória e ri com a derrota. Quando, em seguida, num Pacaembu esburacado e careca, e com o Paraguai baixando o pau, empatamos, eu vi, por toda parte, fisionomias incendiadas de satisfação. Dizíamos uns aos outros: - “Não disse?” Negamos o escrete em geral e, em particular, vários jogadores. Um desses era Mazzola.
Mazzola vinha sendo tenazmente negado. Como muitos outros, ele passou a sofrer uma atroz guerra de nervos. Nos treinos ou nos jogos, atuava num péssimo estado emocional. Lembro-me de que, certa vez, Ademir me declarou:
“Mazzola joga muito mais que isso!” E, de fato, ele tropeçava na própria sombra, na bola, no adversário, no companheiro. Era um sub-Mazzola. E por quê? A explicação era simples: - estavam faltando a Mazzola, como, de resto, a toda a seleção, a solidariedade e o apoio da torcida. Ou pior do que isso: - além de retirar o seu estímulo, a torcida se dava ao luxo de vaiar o jogador individualmente e o escrete em conjunto. Por exemplo: - Mazzola não tinha o direito de entregar mal uma bola, de passar com defeito, porque o estádio vinha abaixo. Esta falta de carinho do povo pelo seu time havia de influir no rendimento de cada um e de todos. E Mazzola, no seu país, na sua pátria, sentia uma solidão de desterro, cercado de caras hostis por todos os lados.
Mas a seleção parte e dá-se o milagre: - todos os palpites emudecem. Não mais a humilhação, não mais a vaia, não mais o achincalhe. O próprio Feola pode andar de um lado para outro sem que os gaiatos o chamem, no plural, de “Casas da Banha”. É o que não falta na Itália: líricas e cordiais barrigas, até maiores que a do nosso técnico. Didi aparece e logo a simpatia popular abre as alas para o craque passar. Aqui, o escrete já se sentia no estrangeiro; lá, é como se estivesse em casa. Então, sem apupos, Mazzola cresceu, todos cresceram. No caso de Mazzola, há um detalhe sentimental para os italianos: - houve, lá, um craque que tinha um nome parecido. Mazzola foi recebido de braços abertos, como um irmão, como um patrício. Batem-lhe nas costas; abraçam-no por toda parte. Os garotos exclamam, numa língua cantante: - “Mazzola! Mazzola!” Por isso, ele e os companheiros ganharam alma nova e o resultado foi o que se viu: - um banho num quadro que tem sete titulares do escrete italiano. E Mazzola foi, em campo, um ser fantástico, compacto, maciço, inexpugnável, como um tanque. Eis o drama da seleção: encontra lá fora o tratamento humano que lhe negamos aqui.
* Amistoso no Estádio Artemio Franchi, em Florença, Itália (29/5/1958). Brasil 4 x 0 Fiorentina, com gols de Mazzola (2), Pepe e Garrincha.
xxx
Escrevi e digitei esse post ouvindo Joy Division e dedico esse som deprê, mas maravilhoso, a todos os pessimistas de plantão. Somos todos e todas Flamengo.
Atmosphere
Aqui um som mais numas de punk rock de primeira leva: Failures.
eddy current suppression ring
which way to go

Essa é a primeira versão de Burning Bridges, minha música preferida desta banda chamada Against Me! (assim, com exclamação mesmo) de Gainesville, Florida, EUA. Nesta época era apenas um cara, o Tom Gabel, e era apenas um camarada anarquista influenciado pela tradição americana de música folk de protesto. A música fez parte de uma coletânea de bandas do mundo inteiro com o intuito de arrecadar um pouquinho-quase-nada de dinheiro para uma organização… anarquista. Dã. Isso não é relevante, só a música, certo? Ah, a banda virou banda mesmo, com outros membros, entrou numas de se profissionalizar e ainda toca, mas não toca mais meu coração… anarquista.
E esta é a letra:
I saw you burn down every bridge. Turn your back on everything, leave all illusions behind. Leave the chains of childhood in the past. Destroying the ideas that imprison the mind. Burning Bridges never to indulge in self-deceit again. Who’s kidding who when you’re lying to yourself? Having fun burning bridges never to look back on the past that made you who you are.
Keep your protest in your songs. Never voicing any real disgust, just charming antics of anger. The feeling’s lost inside your vain big-headed dreams of grandeur. You’re still stuck on trying to save the world. Politics without rhetoric, seeing clearly for just one moment, forgetting about the consequence. Burning Bridges never to indulge in self-deceit again. Who’s kidding who when you’re lying to yourself? Having fun burning bridges never to look back on the past that made you what you are.
Hoje é o feriado mundial em homenagem ao FODISMO. Parabéns, Rondinelli!
Leiam mais sobre ele, por favor: http://www.flamengo.com.br/flapedia/Rondinelli
Ilustras por Rapha Baggas

Neste mesmo dia 25 de abril de 1982 não estávamos de férias forçadas. Não tínhamos de falar sobre a Ronaldização do Messi e tampouco nos entristecíamos com uma eliminação na Libertadores.
Não. A Liberta tinha sido recém conquistada e estávamos disputando a terceira partida da final do Campeonato Brasileiro. Primeiro jogo, no Maraca, 1x1 totalmente idiota. No segundo jogo, na roça do Olímpico, 0x0.
E aí veio aquela coisa maravilhosa de entrevista do Zico, um dia antes do terceiro e decisivo jogo, mandando ver que seria 1x0 com passe dele para gol do Nunes. Puta merda, rolou exatamente isso! E, lá dentro do bolicho, mandamos a gauderiada toda passear no Parque Farroupilha.
Vai vendo:
Mas o Grêmio tinha lá suas vantagens. Pra gente, claro. A principal era o idiota do Leão, nosso grande freguês (lembram do gol do Rondinelli em 78?). Mas a coisa mais legal mesmo é a humildade e a franqueza da música que fazem alguns de seus adeptos. Pego como exemplo a canção do gremista Wander Wildner, o vocalista dos antigos e incríveis Replicantes, Não consigo ser alegre o tempo inteiro.
Concordo. Especialmente quando se tem pela frente: Raul, Leandro, Marinho, Figueiredo e Júnior; Andrade, Adílio, Zico; Tita, Nunes e Lico. Não tem como ser feliz contra eles. E ainda falam desses qualquer nota tipo Busquets e Daniel Alves. Hahahaha!

O hexacampeonato brasileiro de 2009 é um dos títulos mais queridos para mim. Não só por conta do longo e nonsense tempo que demoramos para conquistá-lo, mas pela presença de pessoas especiais que fizeram a diferença. A principal, pra mim, completa hoje 55 anos de idade:
Andrade.
Nascido em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 21 de abril de 1957. Campeão brasileiro em 1980, 1982, 1983 e 1987. Tricampeão carioca em 1979. Campeão da Libertadores e do Mundial de 1981.
E mais: foi dele o 6o gol, aos 42 minutos do segundo tempo, na goleada histórica e vingativa contra o Botafogo, também em 1981.
Absolutamente injustiçado pela atual gestão do Flamengo. Humilhado, saiu beirando os 70% de aproveitamento e pagou pelas panaquices de jogadores desinteressados e brigas partidárias dentro do clube. Depois, amargou a exclusão de um mercado elitista e, ainda que dissimulado, racista. Me lembrei do clássico cantado por Ken Boothe: é porque eu sou negro?
Mais infos sobre Andrade aqui, na Flapedia.
RondiCast 11
Ouvir música é um grande mistério. Confesso que até hoje me pego espantado sobre a simples possibilidade de uma série de sons misturados, ordenadamente ou não, produzirem essas sensações na gente. E a gravação, então? Como podem esses sons serem reproduzidos num pedaço qualquer de plástico, ou metal, passando por fios… Agradeço todo dia à humanidade por essa possibilidade, certamente uma das mais importantes coisas entre todas.
Mas não para por aí. A maior insanidade de todas é quando nos identificamos com essa coisa louca que a gente chama de música. Existem momentos em que ela é apenas uma companhia, um passatempo, mas há quem a tenha como papel central na própria identidade pessoal. A partir disso se desenvolvem preferências estéticas, formação de cenas e relações com outras pessoas, até mesmo o estilo de vida do sujeito.
Estava pensando nisso hoje quando ouvia três bandas que, a rigor, são muito diferentes entre si, mas que por alguma razão subjetiva eu acabo por aproximar. São bandas razoavelmente simples, com um som menos agressivo se comparadas a outros subgêneros do punk rock, mas que não se confundem exatamente com bandas pop por uma série de razões. E voltamos à subjetividade, porque nem sempre música é só música. Por exemplo, as letras podem mudar o local do mapa onde determinada banda se encontra (mais pop, mais underground). O estilo de gravação (guitarras mais altas do que os vocais…), os temas abordados e, por que não, até mesmo coisas supostamente superficiais como o “visual” da banda. Tudo isso pode mudar nossa relação com o som, com as bandas, com outras pessoas, a depender do que você esteja procurando no momento. Ou que te encontrou, mesmo sem que você tenha procurado. Aí é morte e vida ao mesmo tempo, muito foda.
Encaixaria estas três bandas que escolhi hoje num tipo de gênero que seria algo como um “punk rock suave e simples com temas políticos internos sobre a própria cena como se isso fosse abrangente o suficiente para pensar toda a sociedade”. Você, rubronegro, que acabou chegando aqui sabe-se lá como, pode não acreditar, mas existem milhares de pessoas que se importam com essas coisas que estou falando! Nos casos das bandas de hoje, estes temas seriam as relações de gênero e sexualidade, o papel do indivíduo numa luta política coletiva ou até mesmo as questões sobre quem é mais verdadeiro dentro da cena (neste último caso há paralelo com os recentes debates sobre ‘quem é mais rubronegro’).
Ok! Vamos lá, as bandas são as seguintes: RVIVR, de Olympia, EUA, que conheci há pouco tempo e está fazendo uma turnê pelo Brasil agorinha mesmo; o Against Me!, da Flórida, EUA, que passou de um único sujeito extremamente oposto à indústria da música até desencanar disso e se integrar a ela sem pudor algum; e, por último, o Jawbreaker, que existiu entre meados dos anos 1980 e 1990, formada em Nova York, também EUA, e é uma banda perigosa para quem quer criar relações hierárquicas dentro de um subgrupo de pessoas (sejam punk rockers ou rubronegros).
Fechou?
RVIVR

01. derailer - derailer 7´
02. seethin - dirty water ep
03. had enough - dirty water ep
04. resilient bastard - dity water ep
gol do nunes
05. edge of living - lp
06. cut the cord - lp
07. grandma - lp
08. change on me - lp
apito final do mundial
against me!

09. we laugh at danger and break all the rules - reinventing axl rose
10. I still love you julie - reinventing axl rose
11. those anarcho punks are mysterious - reiventing axl rose
12. baby I´m an anarchist - reinventing axl rose
13. walking is still honest - reinventing axl rose
gol do baroninho
14. burning bridges - vivada vis
15. shit stroll - vivada vis
16. this shit rules - as the eternal cowboy
17. mutiny on the eletronic bay - as the eternal cowboy
18. sink, florida, sink - as the eternal cowboy
jawbreaker

19. the boat dreams from the hill - 24 hour revenge therapy
20. indictment - 24 hour revenge therapy
21. boxcar - 24 hour revenge therapy
22. ache -24 hour revenge therapy